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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Deixem as gordas em paz!!


 

Muitas mulheres convivem com essa neurose diariamente. Muitas mesmo. Quantas amigas suas vivem de dieta? Quantas amigas suas morrem de culpa por comer um pedacinho de bolo? Quantas mulheres entram em depressão por causa de seus corpos depois da gravidez? Quantas delas correm para a academia querendo entrar "em forma" o mais rápido possível? Quantas tomam remédio pra emagrecer? Quantas morrem de vergonha de seus corpos na praia? Quantas conseguem ficar de boa ao vestir um biquíni sem ter se esforçado pra estar "em forma"? E quantas das que eram gordas e emagreceram agora tiram onda das que continuam gordas? É claro que você pode ir pra academia. É claro que você pode malhar, pode inclusive ser musculosíssima, pois o corpo é seu. O que nós queremos é apenas que todos os corpos sejam aceitos. Todos os corpos. Os malhados. Os naturalmente magérrimos. E os gordos. Sim, as gordas querem ser aceitas e felizes. E amadas e bonitas e tratadas como pessoas normais, não como "aquela gorda", estando isso à frente de tudo mais que ela for. 
Mas há obviamente uma pressão maior sobre as gordas. Se for negra e gorda, então, muito pior.  Vamos falar GORDAS, não "gordinhas", "fofinhas" ou "gordelícia", porque GORDA não é xingamento. Uma pessoa gorda não é pior do que uma pessoa magra. Nem mais preguiçosa, nem mais relapsa, e nem tem menos "força de vontade". Força de vontade PRA QUE, minha gente? Pra se enquadrar em um padrão excludente? As gordas que emagrecem são parabenizadas. Glorificadas. "Parabéns pela sua incrível força de vontade!" Ninguém pensa na triste possibilidade de essa força de vontade talvez estar vindo de uma terrível angústia por causa da pressão social. É claro que a pressão nem sempre vem de fora pra dentro. Você pode perfeitamente não se sentir bem em seu corpo e querer mudar; como eu já disse, o corpo é seu. Mas saiba que isso é algo pessoal e que é lamentável que isso vire uma cruzada chamando todas as pessoas que são gordas para também entrarem "em forma". Isso não deveria estar no centro das nossas vidas. Nós não estamos aqui para enfeitar o mundo. Somos mulheres, não adornos.
Veja bem, eu não estou usando um tom acusatório. Eu inclusive sinto isso na minha pele, sempre senti. A vida inteira eu convivi com essa paranóia. Tomei um milhão de remédios para emagrecer. Vivia querendo ser magra. E eu nem era gorda! Porém me entendia gorda. Obesa. Horrível. Eu precisava emagrecer. Chorava quando engordava um pouquinho. Vivia pensando nisso, carregava a neurose como uma bigorna pendurada no pescoço. A pressão era terrível. Eu achava que tinha que ser perfeita. Achei que estava perfeita depois de uma crise em que fiquei dias sem comer. Eu estava horrível,  estava um caco, mas estava esquálida e me achando linda, com muita gente ao meu redor aprovando o absurdo. Eu sei como é. Eu sei o que a gente passa. Não é fácil se livrar disso. Volta e meia ainda tenho umas crises que podem até atrapalhar a minha vida sexual. Ninguém está livre e a culpa não é de quem sucumbe; é muito difícil conviver diariamente com todas as pressões de um mundo que vê os gordos - mais especificamente as gordas - como pessoas piores.

Não tem roupa pra gorda no Brasil. Não tem mercado pra gorda no Brasil. Pessoas gordas sofrem preconceito em entrevista de emprego (li que precisam fazer cerca de quarenta entrevistas a mais do que uma pessoa magra). Não tem gorda na televisão, a não ser quando é no papel d'A Gorda. Pessoas gordas sofrem preconceito no sistema de saúde. Pessoas gordas sofrem preconceito no transporte público. Pessoas gordas não são doentes. Pessoas gordas são apenas gordas.
Exaltar a beleza das gordas não é dizer que as magras não estão mais autorizadas a serem belas. Não é tentar estabelecer um novo padrão, uma ditadura da celulite, e sim aceitar uma democratização da beleza. É não olhar feio quando a gorda quiser comer um xis-tudo, porque o corpo é dela, consequentemente, a saúde também. Não use o argumento da saúde para cagar regra no corpo alheio. Dificilmente fazem isso com as magras. Dificilmente condenam meninas evidentemente doentes, pelo contrário, elas têm a magreza elogiada e exaltada e são encorajadas a continuarem com a loucura de não comer, de vomitar, de perder, perder, perder. Não é uma preocupação com a saúde. 
Anorexia é a primeira causa de morte entre pessoas do sexo feminino entre 14-25 anos. E é esse padrão que causa isso. Mulheres morrem porque querem ser magras. Mulheres morrem porque não querem ser chamadas de gordas.
Gorda não é xingamento. Deixem as gordas em paz. Deixem as gordas de biquíni. Deixem as gordas mostrarem a barriga, deixem as gordas usarem o tamanho de saia que quiserem. Deixem as gordas terem namorados sem pensar "nossa, esse aí podia conseguir coisa melhor". Gorda não é "coisa". Gorda é gente.
Apenas deixem as gordas em paz.

por Clara Averbuck — publicado 09/09/2013 19:32, última modificação 10/09/2013 12:51


 

 

12 comentários:

  1. Não, não consigo deixar gordas em paz. Qdo lembro de como é difícil examinar abdome gordo, auscultar gordo, não posso não reclamar.

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  2. Sim, lembro tb das lesões articulares.
    Por isso, tenho que combater gorduras nas gordas.

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  3. Oi Ana,
    Adorei o texto, mas cabe uma correção aí. Não sei onde a autora foi buscar o dado que a maior causa de morte entre os 14 e 25 anos é a anorexia pq não é verdade. As mortes por anorexia são tão ínfimas que sequer cabem em uma estatísticas. Como são raridade, elas acabam chamando a atenção.
    Aproveite a semana.
    Bjs

    GOSTO DISTO!

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  4. Oi Ana,
    É bem verdade que não existem muitas opções de roupas por aqui. Essa semana tenho que comprar um presente para a minha sogra, que veste tamanhos grandes e além de difícil de encontrar roupas para ela, as lojas especializadas, custam uma fortuna.
    Beijos

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  5. Parabéns pelo blog. Jesus te ama
    "Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.
    Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.
    Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.
    O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.
    Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

    João 10:7-11"

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  6. Oi Ana
    Bem, eu acho o seguinte- nem tanto ao mar e nem tanto à terra, vamos dividir isto, nem muito gorda e nem muito magra, acho melhor assim.
    Beijo.

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  7. Gostei do texto. Há que aceitar as pessoas como elas são.
    Mas por uma questão de saúde é preciso se cuidar.
    Beijinhos.

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  8. Gostei do texto. Há que aceitar as pessoas como elas são.
    Mas por uma questão de saúde é preciso se cuidar.
    Beijinhos.

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  9. Difícil manter o peso, ainda mais para as gordinhas ...
    mas na verdade temos que aceitar sem criticar! bjss

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  10. É bom voltar ao seu blog, ver e ler o que está publicando,só posso agradecer pelos textos,
    com que nos presentei-a,e posso dizer que tem aqui um agradável blog, desejo que continue de saude e com muita paz.
    Deixo as minhas saudações, com desejo de muitas felicidades.
    Sou António Batalha.
    Do Peregrino E Servo.

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  11. hihihihi.....

    Amei o texto.
    Mas nem tudo pode ser radical.
    Nós, as gordinhas (me incluo tbém) que temos que tomar consciência do quanto a gordura prejudica à saúde. Porque estar magra só para satisfazer estereótipos impostos pela sociedade, não vale a pena. Causam vários transtornos psico-emocionais.
    Então,o melhor é ter saúde e ser feliz dentro do biotipo de cada pessoa.
    Mesmo que gordinha, não é mesmo?

    Um gde beijo
    Isabela

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