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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Vende-se tudo


No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma
mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a
família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço
do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado,
comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo
apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi
tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala
de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o
bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém
aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às
vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido
comentar que ali estava se vendendo uma estante. E convidava pra
subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu
sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam
meus móveis e minhas bugigangas.

Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu
lar, que a cada dia ficava mais nu. No penúltimo dia, ficamos só com o
colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão,
que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora
antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que
aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material.

Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo.
Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas
para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de
objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de
pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que
estiveram presentes na minha vida.
Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos
Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.
Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época
tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia
muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café
da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as
emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde.
Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de
leveza: " só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir," é
melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ!

Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza
ou plenitude.
São as dádivas especiais que não tem preço, as pessoas que estão
próximas da gente e que nos amam, a saúde, os amigos que escolhemos, a
nossa fé e Paz de espírito.

Autoria: Martha Medeiros.

15 comentários:

  1. Tem hora que recomeçar é muito melhor do que se apegar a coisas materiais né Ana?

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  2. Oi Ana,
    O texto é lindo, mas acho que eu morreria um pouco se tivese que me desfazer de algumas coisas na vida, coisas que foram herança que minha mãe me deixou, e que ela já havia recebido da mãe dela, que por sua vez herdou tb...
    Alguns objetos têm vida própria e carregam em si a história de uma família. Não sei se me sentiria mais leve, acho que me sentiria mais vazia.
    Beijos 1000 e uma ótima semana para vc.

    www.gosto-disto.com

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  3. Olá Ana

    Em outros tempos guardava tudo, hoje não me apego a nada de material.
    Ao contrário do que muitos que não me conhecem pensam, não sou uma pessoa fútil. Talvez deixe transparecer isto no blog. Gosto sim de ter uma casa bonita e arrumada, mas não teria o menor problema de vendre tudo e começar a viver em outra cidade ou país. Quase fizemos isto a pouco tempo atrás. Ontem mesmo aconteceu um fato muito interessante. Convidei pessoas amigas para um almoço em casa e à tarde uma delas ficou encantada com a bermuda que eu estava vestindo, e o fez diversas vezes. Perguntei a ela - vc quer? Ela está um pouco folgada para em meu corpo. Na mesma hora e com expressão de vitória ela respondeu- É claro que quero.
    Acho que nunca mais conseguiria usar esta peça de roupa.
    Uma ótima semana...

    BJ0000000000..............
    www.amigadamoda1.com

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  4. Sou muitíssimo apegada a minhas coisas. Mas, levo o que posso. O resto, vende-se.

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  5. Olá tem algumas coisas que sou apegada outras não, faz parte, uma linda semana bjs com carinho Leila

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  6. Ana, que texto mais lindo!
    Muitíssimo bem observado.
    E quem é essa garota linda, vestida de vermelho que aparece no painel do perfil?
    beijos, querida
    Nina

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  7. Boa experiência e proposta de reflexão!!!
    Adorei a foto do perfil também!!!
    Beijo!

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  8. Oi, Ana,
    Muito lindo esse texto! É difícil o desapego, mas é preciso refletir sobre isso. Da vida o que se leva é o que se viveu!
    Um beijo!

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  9. Olá Ana,
    Ás vezes nos apegamos a algumas coisas... não sou muito apegada, já me mudei tantas vezes e na maioria só levo duas malas, o resto vendo, dou e assim vou levando a vida...
    Ótima semana para ti...
    abs

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  10. OLá querida bom dia flor do dia bjs euma linda semana Leila obrigada

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  11. Ana querida,
    Li todo o texto e já passei por situação de desprendimento quando mudei de casa p apartamento.
    O texto é tão especial como o de baixo.
    Com carinho,
    Nena.
    www.coracaodanena.blogspot.com

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  12. "Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas
    para se usar, e não para se amar."
    isto me tocou profundamente...é uma das coisas que gostaria de sentir...
    Vim visitar este cantinho e gostei muito...
    Convido para conhecer meus blogs...
    beijos de luz

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  13. Oi Ana,vim agradecer sua visita e comentário e desjar otimo dia...
    beijos de luz....

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  14. Oi Ana, olha tens toda razão, daqui nada levamos, o que vale mesmo é o amor e convívio com as pessoas que estão perto de nós. A busca pelo bem material está cada vez maior as pessoas, esquecem do seu maior valor. E na vida da gente temos que estar preparados pra tudo e pra todas as situações, saber levar a vida é o melhor. Beijossss querida e um ótimo final de semana!

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  15. Nossa Ana que post bonito! Eu não conhecia a Martha Medeiros até postar em meu blog uma poesia dela, que veicula pela internet como autoria de Pablo Neruda, Quem Morre ? ou "Morte devagar", que por sinal é maravilhosa.
    Parafraseando, Fernando Pessoa: O que se leva da vida é a vida que se leva.

    bjs Lais

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